O rei da padaria

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Por Priscila Minani e Mariana Nogueira

Não é preciso andar muito por Frutal para encontrar pães de queijo à venda, e é até redundante dizer isso, pois estamos em Minas Gerais, terra do pão de queijo. Mas de onde veio esta delícia tão tipicamente nossa?

Na verdade, não se sabe exatamente a origem do pãozinho mais famoso do Brasil. Há especulações de que tenha surgido na época da escravidão, quando a mandioca era o pão do brasileiro, nas fazendas de Minas em períodos de escassez de farinha e fartura de queijo. Na verdade, sabe-se que o pãozinho mais famoso do país é mineiro e não nega sua raça, já que o queijo minas é o queridinho nacional.

Andando pela cidade encontram-se diversas “casas” de pão de queijo, lojas especializadas em fabricar, vender e distribuir essa delícia e outras como rosquinhas e biscoitos que, nos perdoem por isso, não chegam nem aos pés do rei. No café-da-manhã, no lanche ou até para uma refeição apressada, toda hora é hora de comer um pão de queijo, ou melhor, dois, três, quatro...

É na esquina da Rua Santos Dumont com a Rua Raul Soares que encontramos o mais tradicional pão de queijo de Frutal, o Pão de Queijo Mineiro. Quinze anos atrás, José Alves de Lima, o Zezinho e Maria Madalena Santana Lima, a Madalena, abriram a loja. Na época, era a segunda casa de pão de queijo da cidade e se localizava na Rua Itapagipe. Estão até hoje no mercado, agora como o estabelecimento mais antigo do setor.

Segundo Madalena, é feita uma média de 1500 pães por dia. “Em Frutal o pessoal considera o pão de queijo como um pão francês. E com uma vantagem: o pão francês precisa de manteiga, requeijão ou mussarela, o pão de queijo vem pronto”, diz Madalena, que aprendeu com a mãe a receita que segue até hoje.
Sem dúvidas, em Frutal o pão de queijo é o preferido a qualquer dia da semana e qualquer hora do dia. Já comeu o seu hoje?


De Minas para o mundo

A delícia que teve sua origem em terras brasileiras é tão apreciada que acabou sendo difundida para todo o mundo. Cada lugar designou um nome próprio para o pãozinho. Na Colômbia é conhecido como pan de bono ou pandebono.Especialistas dizem que o alimento é semelhante ao pão de queijo, exceto pela forma mais achatada.  Levando em consideração a rixa existente entre Brasil e Argentina, pode-se dizer que eles não se contentaram em invejar o nosso futebol e também copiaram o queridinho e o mesmo acontece com o nosso vizinho das imitações. Na província argentina de Missiones e no Paraguai, é possível encontrar uma variação do pão de queijo, chamada chipá, que coincidentemente também é usado no Mato Grosso do Sul. Nesse caso, a diferença se dá pelo formato curioso em U.

Com isso, se reforça aquela velha história de que em qualquer lugar do mundo é possível encontrar um pouquinho de Brasil. Brasileiros estão por toda a parte, aventuram-se em terras estrangeiras, mas muitos, ao invés de se adaptarem a culinária do local, preferem apresentá-los a nossa típica cozinha, dona dos mais variados temperos e pratos. Dessa forma, por onde passam, levam traços de sua cultura mãe, agregando o gostinho da nacionalidade aos demais locais. Assim, Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Itália, Espanha, França, Israel, Portugal, Japão, são alguns exemplos de quem também acabou se deliciando com o típico pão de queijo mineiro.

“Cheese bread, Käsebrot, pane formaggio, queso pan, pain au fromage, ーズパン” …
Países de todo mundo, o Brasil pede desculpa, mas afirma sem humildade que o rei dos quitutes é, modestamente, nosso. Seja qual for o idioma utilizado, o pão de queijo é e continuará sendo legitimamente brasileiro, vestindo a camisa verde e amarela e reinando soberano.