Somos jornalistas, Meritíssimo

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Por Eduardo Uliana

O jornalista é um especialista, Meritíssimo Ministro Relator do STF (Supremo Tribunal Federal). Das palavras, do cotidiano, da justiça e da sociedade. Imprime em textos, imagens, vídeos e áudios seu ponto de vista, procurando se expressar e/ou informar as pessoas. Idealista por natureza, o verdadeiro jornalista busca mudar o mundo por meio de ações que façam a diferença. Precisa ler muito, estar por dentro dos acontecimentos, acompanhar, ou melhor, andar sempre na frente dos ponteiros do relógio para trazer informações atuais e inéditas para seu público.

Realmente parece que não é fácil ser jornalista. Muitos dizem que é preciso ter paixão pela profissão para não desistir no meio da faculdade. Geralmente não se ganha bem, ou você conhece algum jornalista rico, além do William Boner e da Fátima Bernardes? Trabalha muito e descansa pouco. Já desanimou? Ainda é cedo.

No cumprimento do dever de reportar, muitas vezes o jornalista passa por situações perigosas, arriscadas e incômodas. A maioria dos profissionais com carreira já respondeu ou está respondendo a processos movidos por empresas, entidades e pessoas que não gostaram da forma como foram citadas.

Sem contar as inúmeras ligações diárias que recebem e as críticas. Sinceramente, você ainda quer ser jornalista?

Pela breve e sucinta introdução ao mundo jornalístico do ponto de vista do profissional que trabalha em redações, agências de notícias e jornais impressos, rádios e televisão, podemos perceber que não basta pegar uma caneta e começar a escrever ou pegar um microfone e narrar um fato para ser um jornalista.

O conhecimento teórico e técnico é indispensável e imprescindível para atuar na área. É necessário aprender a escrever corretamente, não apenas ortograficamente, mas com ética e responsabilidade. A voz precisa ser educada, para saber como falar em público, e a imagem trabalhada, para que o telespectador saiba interpretar as informações que o repórter está passando pelo vídeo. O indivíduo que sonha ser jornalista precisa, assim como um engenheiro ou um médico, passar pela faculdade, ter a bagagem cultural e o aprendizado necessário para executar seu trabalho com eficiência.

Você não vai deixar um pedreiro construir sua casa só porque ele sabe assentar alguns tijolos ou se submeter a uma cirurgia com um enfermeiro só porque ele sabe dar pontos em ferimentos. Então, por que aceitar que uma pessoa, só porque escreve razoavelmente bem, seja considerada um jornalista?

Infelizmente, o jornalismo foi banalizado desde seu surgimento. Porém, isso não justifica que não seja necessário o diploma. No Senado Romano, já existiam jornalistas (diurnarii ou actuarii, redatores das Actae Diurnae).
Validar a diplomação de jornalista não extingue a liberdade de expressão de alguém que não tem o diploma. Pelo contrário, o jornalista formado é o principal canal de validação e apuração de informações, sendo uma das principais ferramentas de cidadania da sociedade.

A defesa da não obrigatoriedade do diploma de jornalismo é um absurdo tamanho que chega a soar como ridicularização da classe jornalística.

Comparar e colocar no mesmo nível jornalistas formados e “jornaleiros” – sem ofensa aos donos de jornais ou entregadores dos mesmos – mostra a falta de conhecimento sobre a profissão e o trabalho realizado por esses profissionais.

Antes de determinar a extinção da profissão de jornalista, confundindo-a simplesmente com a questão do diploma, o Meritíssimo Ministro Relator do STF deveria ter estudado a questão com mais cuidado e profundidade. Fica a dica, Gilmar Mendes.