Te gusta el alfajor?

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Por Eduardo Uliana


O alfajor está para a Argentina como o pão de queijo está para os mineiros. Mania nacional naquele país, o doce pode ser encontrado com a fórmula tradicional que tem recheio de doce de leite e cobertura de chocolate ou ainda com recheio de frutas e chocolate e cobertura, que pode ser de açúcar, chocolate branco e confeitos. A guloseima é vendida individualmente ou em caixas, que podem ter até 24 unidades. Em cada esquina de Buenos Aires, tem uma lojinha com verdadeiros mostruários de cores, sabores e preços. É difícil escolher qual levar, qual degustar primeiro e definir quantas caixas colocar na sacola.

Para quem não sabe, o alfajor (pronuncia-se “alfarror”) é um doce tradicional da Espanha, Argentina, Chile, Peru, Uruguai e outros países ibero-americanos, mas originalmente foi criado no Equador. O nome vem do árabe al hasu e significa recheado.

O doce é composto de duas ou três camadas de massa, que após assadas ficam levemente crocantes e macias, quase esfarelando, mas firmes, e com recheio de doce de leite, coberto com chocolate derretido ou polvilhado com açúcar de confeiteiro. Com o passar dos anos, a tradicional receita foi perdendo espaço para novos e exóticos sabores de alfajor.

Muito popular na Argentina, o doce é considerado um ícone da cultura do país, onde são consumidos, todos os dias, seis milhões de alfajores de mais de cem marcas. A mais famosa delas, Havanna, data de 1948 e possui mais de 180 lojas em terras argentinas.

Para se ter uma idéia, o alfajor é consumido pelos argentinos no café da manhã, depois do almoço, no lanche da tarde e durante uma pausa a qualquer hora do dia (eu comprovei isso pessoalmente). As comparações com o pão de queijo mineiro não param por aí. Se aqui temos uma lanchonete que vende um pãozinho para cada dois mineiros, aproximadamente, a proporção no país vizinho pode chegar a uma loja que comercializa um alfajor para cada argentino.

E agora algumas dicas pra quem está pensando em visitar Buenos Aires e trazer alguns “docitos” na bagagem:

Logo no aeroporto, durante o embarque. Você vai dar de cara com lojas da marca Havanna, no freeshop internacional. Se você está pensando no preço, a diferença não é grande. Irá pagar quase o mesmo valor, comprando nessas lojas ou na Argentina. Pra quem não liga muito, o Havanna é uma ótima escolha. Já para quem aprecia o doce dos hermanos, vale a pena gastar algum tempo do seu passeio visitando as lojinhas de conveniência, espalhadas por toda a capital portenha e experimentar duas ou três marcas diferentes. Você vai se surpreender como um simples doce pode ter muitas e deliciosas variações.

Dê uma olhada em volta e observe quais marcas os argentinos costumam levar. Nada melhor que consultar os especialistas no assunto. E não adianta perguntar. Eles vão falar que todos são “muy sabrosos”, podendo lhe empurrar alfajores não muito apetitosos.

Marcas que provei e gostei: La Recoleta, Alfajores Cordobeses, Alfajores Argentinos e Cachafaz.


O melhor da Argentina são os brasileiros

Caros amigos. Ela é a cidade mais européia da América Latina. É linda, efervescente culturalmente, preserva as tradições, é repleta de monumentos e prédios históricos lindos, respira política e história e é cheia de argentinos. Isso mesmo, argentinos. Seres humanos de estatura mediana, caucasianos, de descendência espanhola e eternos rivais dos brasileiros no futebol. Não sei se é influência disso ou não, mas durante minha viagem, senti uma certa hostilidade enclausurada em relação a “nosotros”, turistas brasileiros.

No táxi, nas ruas, lojas e restaurantes e, especialmente, nos hotéis, nossos hermanos não fazem a mínima questão de serem gentis e hospitaleiros. Para marinheiros de primeira viagem como “yo”, que não falam muito bem e entendem menos ainda a língua espanhola, isso atrapalha um pouco. Principalmente na hora de pedir informações ou dizer para onde você quer ir. Falar pausadamente e com clareza ajudaria muito. Mas não. Só pra judiar, eles falam rápido e com seu sotaque característico, diferente daquele espanhol que nós aprendemos em escolas de idiomas.

Fiquei em um hotel, no bairro da Recoleta, repleto de brasileiros. No saguão, enquanto esperava o transporte, percebia como meus conterrâneos que acabavam de chegar sofriam na mão do “carismático” porteiro argentino. Alguns até arriscavam um “portunhol”, mímicas e gestuais. Tudo sem muito sucesso. Aí desistiam e falavam no bom e velho português (que, pelo jeito, eles entendiam perfeitamente).

Se você é muito comunicativo e gosta de conversar, não se iluda. Eles não gostam de ficar papeando com seus vizinhos queridos. Então, advinha o que acontece na Argentina? Brasileiros conversam com outros brasileiros. Não é brincadeira. É só você prestar atenção no som, nas palavras familiares e puxar assuntos. É um alívio e uma felicidade de ambas as partes. Não importa o sotaque e de qual região do Brasil a pessoa seja. A partir desse primeiro contato, começa sempre uma boa conversa, onde se trocam dicas, informações e impressões sobre a capital argentina. Se um dia você for para a Argentina e precisar de ajuda, procure sempre um brasileiro.