Dou-lhe uma, dou-lhe duas, vendido!

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Por Mariana Nogueira

O leilão é uma forma de venda muito comum nos tempos atuais. Nessa modalidade de comércio, uma mercadoria é oferecida inicialmente com um valor que, conforme interesse do público de compradores, vai aumentando. As mercadorias são nomeadas por lotes, cada lote tem um ou mais produtos. O leiloeiro é a peça chave do leilão, normalmente é ele quem mostra o lote e faz a venda. É também o leiloeiro que apresenta aos compradores as condições de venda do lote. O lance, por sua vez, é o valor dado por um interessado em comprar o produto. Existem leilões de terras, imóveis, carros, jóias, gado, móveis antigos, artigos de luxo e até tapetes.

No leilão de gado a fórmula é a mesma, o que muda são as personagens. O leiloeiro negocia com os clientes lotes de bovinos de leite, de corte ou de reprodução. Geralmente os freqüentadores dos leilões de gado estão à procura de animais de qualidade com preço mais acessível, já que a negociação é a alma desta espécie de vendas.

Em janeiro de 1982 foi realizado o primeiro leilão de gado de Frutal e do Baixo Vale do Rio Grande por iniciativa do então presidente do Sindicato Rural de Frutal, Jairo Rodrigues de Mendonça. A partir daí a modalidade de vendas se tornou rotina no município. Atualmente, são quatro empresas de leilões de gado instaladas em Frutal.

A estimativa acerca da quantidade de cabeças de gado leiloadas semanalmente chega a casa dos milhares, somente em Frutal. É muito comum a participação ativa de toda a região na compra e venda de gado em leilões da cidade. Campina Verde, Carneirinho, Comendador Gomes, Fronteira, Itapagipe, Iturama e Pirajuba são algumas das cidades que fazem parte da microrregião de Frutal e participam semanalmente nos leilões. Além de algumas cidades do estado de São Paulo.

Os leilões acontecem faça chuva ou faça sol, movimentam a economia da cidade, não apenas no setor pecuário, mas também em todos os setores que envolvem a vinda de pessoas de outras cidades para o município como hotéis, restaurantes e postos de combustíveis.


Leiloar é uma arte

A peça chave do leilão é o leiloeiro. A profissão aparece na história 500 a.C, na Babilônia, quando mulheres bonitas e adultas eram leiloadas para casar. O mesmo acontecia com escravos. Em 1850, no Primeiro Código Comercial Brasileiro, a atividade de leiloeiro já estava integrada ao sistema comercial e a revisão deste código em 1934 não alterou a regulamentação da carreira.

Nivaldo Pacheco de Morais está há 25 anos, completados em 31 de agosto, no ramo dos leilões. Com milhares de leilões no currículo nas regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil, ele afirma que o sucesso veio da persistência “Tudo na vida é treino”.

Ser leiloeiro é uma profissão que não necessita de formação acadêmica. Pacheco destaca que seu diploma como médico veterinário proporcionou experiência e conhecimento sobre os animais e suas qualidades. “A argumentação é muito importante, você falar do que você conhece. O leiloeiro precisa enaltecer o animal. Se eu não conhecesse do assunto eu cometeria muitas gafes”. Há um regulamento a ser seguido, e cabe ao leiloeiro deixar claro ao comprador este regulamento antes que o leilão comece. Todos os defeitos do animal devem ser mostrados, o negociante não pode levar gato por lebre, “Não é ético”, ressalta.

O leiloeiro de gado é um artista que com conhecimento e rapidez vende um animal. É muito comum leilões de gado com fins beneficentes. Pacheco já participou de muitos em prol de instituições de Frutal e região, como o Hospital de Câncer de Barretos, que colocou o nome do leiloeiro em uma sala de tratamento radioterápico.


Ligação imediata

Conhecer a preferência de cada comprador é fundamental para o bom andamento de um lance e essa é uma das melhores qualidades do bom auxiliar de pista. Pra quem não sabe o que é, são aquelas pessoas que percorrem o leilão arrecadando os lances e repassando-os ao leiloeiro, apenas com gritos e gestos. Lucimar Barcelos Menezes é a ‘pisteira’ mais antiga da região, são 27 anos cumprindo uma agenda cheia de leilões todas as semanas. Essa profissão requer ciência e técnica para que haja compreensão mútua.

A aproximação com o comprador trouxe a ela conhecimento muito grande de cada um: “eu trabalho há muitos anos e vivo no meio do pessoal, conheço todo mundo e já sei quem gosta de qual tipo de gado, se são gabirus (bezerros novos) ou vacas gordas”. São bezerros, vacas leiteiras e bois. A aparência física do animal também conta muito na hora da compra “O animal tendo uma qualidade boa, sendo bravo ou não, branco ou preto, o que importa é a qualidade”. Sem a auxiliar de palco a atividade do leiloeiro não está completa. Ela auxilia na venda, na negociação cara a cara, é a ligação entre leiloeiro e negociante.

A estrutura física do leilão consiste em um palco alto de onde o leiloeiro vai narrar às ofertas e um cercado logo abaixo do palco, para os animais ficarem à mostra. O público comprador fica em mesas e cadeiras dispostas em volta desse cercado, assim todos podem ter ampla visão do animal. O espaço livre entre o público e o cercado do animal é a pista em que os auxiliares trabalham.

Os animais que chegam aos leilões não são previamente cadastrados, eles vão chegando e aos poucos sendo vendidos. Quem leva animais para vender também compra. É um negócio recíproco. Frutal é uma praça de atividades comerciais importantes e o leilão é uma delas. Os leilões de gado fortalecem a pecuária regional e aquecem a economia, levando o nome da cidade para os quatro cantos do país.