Por Ana Carolina Araújo
Sou docente do ensino superior há seis anos. Esse tempo me deu a certeza de que a educação superior faz a diferença na vida das pessoas e, conseqüentemente, na sociedade de maneira geral.
Digo isso com embasamento. Basta cruzar os dados do último Censo do Ensino Superior, divulgado pelo Ministério da Educação em novembro de 2011 e as notícias do desenvolvimento das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste na última década. O Censo detectou que o percentual de matrículas no ensino superior nas regiões citadas acima aumentou de 2001 a 2010, em contrapartida ao decréscimo da participação das regiões Sudeste e Sul.
Os investimentos governamentais e da iniciativa privada, em especial no Nordeste, têm exigido mão de obra qualificada para atender a demanda de novas indústrias, do setor de serviços (com destaque para o turismo) e da construção civil. Dados do IBGE mostram que entre 1995 e 2007, a participação do Nordeste no PIB (Produto Interno Bruto) nacional aumentou de 12% para 13,1%. Com a economia em plena expansão, até mesmo os fluxos migratórios tradicionais diminuíram no país nos últimos 15 anos. Ainda segundo o IBGE, a corrida para o Sudeste, que marcou as décadas de 1960 a 1980, deixou de existir. O estudo aponta que a principal razão para a migração interna no país é a oferta de emprego. Qualificados, trabalhadores do Nordeste não precisam mais sair de sua região e têm sido um dos motores propulsores do desenvolvimento naquela área.
Toda essa introdução foi para justificar minha surpresa quando qualquer formação superior seja desqualificada. E, então, entro no assunto que me concerne: a formação superior de jornalistas. Adianto que aplaudo a decisão da Câmara de Frutal em aprovar, no final de 2011, a exigência do diploma para jornalistas que queiram atuar como assessores de imprensa na casa. Respeito muito os jornalistas não diplomados que atuam com brilhantismo na profissão. Mas eles são cada vez em menor número. O mercado da comunicação, hoje, se difere muito do cenário de 15 anos atrás. Era fantástico quando um jovem adentrava uma redação e os veteranos tinham tempo (e paciência...) para explicar as minúcias da profissão. Era uma época de redações cheias, quando o mercado se responsabilizava pela boa formação do jornalista. Hoje, simplesmente, não há tempo ou disponibilidade. As redações são enxutas, o tempo de fechamento está mais apertado. O jornalista precisa chegar minimamente qualificado ao mercado para iniciar sua carreira.
E quando digo qualificado, não me atenho às técnicas de apuração e redação da notícia. Refiro-me à experiência de vida que uma universidade proporciona. O Censo do Ensino Superior mostra que calouros de universidades estão se matriculando mais jovens. A média de idade é de 26 anos. E além de muita informação técnica, o que o ensino superior proporciona a esses jovens é a oportunidade de conhecer outras pessoas, com diferentes interesses. É participar de uma cultura universitária que não inclui somente informações específicas da profissão, mas que trará ao indivíduo uma ampliação da visão de mundo, o tempo para a reflexão, a oportunidade para que se formem, além de profissionais qualificados, seres humanos capazes de mudar a realidade em que vivem e que, no mínimo, possam se posicionar de maneira ética e responsável diante dos mais variados conflitos que enfrentarão.
Então, para deixar bem claro, sou a favor da Proposta de Emenda Constitucional que torna obrigatório o diploma de nível superior em jornalismo para o exercício da profissão.
Espero, sinceramente, que seja aprovada em segundo turno no Senado e na Câmara. Não por razões corporativistas. Mas porque acredito, como jornalista e educadora, que profissionais que passam por universidades são seres humanos que podem fazer a diferença.
Ana Carolina Araújo é jornalista e coordenadora do curso de Comunicação Social da UEMG – Campus de Frutal.
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