Por Nathalia Kuramoto
Fundada em 1966, a biblioteca Municipal de Frutal conta com o charme do prédio, considerado patrimônio histórico cultural e reformado desde 2005. Mesmo aberta ao público das oito às dezessete horas, a biblioteca é pouco visitada e a população não desfruta de seu vasto acervo. Preferem outras distrações a um bom e velho livro, também conhecido como difusor de conhecimento, capaz de levar qualquer um a uma viagem e universos desconhecidos sem que pra isso, seja necessário abrir mão do conforto de casa. Basta ir até lá, se cadastrar, pegar um livro e o passaporte para a viagem está comprado, ou, nesse caso, alugado.
Há um ano na biblioteca de Frutal, Samira Lopez é formada em biblioteconomia pela UFMG e admite que o número de frequentadores regulares é baixo. Dentre os mais raros, estão os adolescentes, que só dão o ar de sua graça em tempos de vestibulares. A busca é pelos clássicos literários exigidos na lista de provas. Na verdade, o que os jovens buscam é um "salvamento da pátria". Estes (os clássicos), também estão entre os livros que mais "somem" da biblioteca, mesmo sob pena de multa diária.
A respeito da multa, tanto ela quanto a taxa simbólica de cadastramento dos usuários vão aumentar a partir do dia 2 de setembro. A primeira subirá de cinquenta centavos diários para um real. A segunda de três, para quatro reais. O destino de tal recolhimento é a compra de canetas, lápis, borracha, tinta de impressora, conserto dos computadores e outras necessidades para manter tudo nas melhores condições. Apesar de não ter uma verba fixa destinada à biblioteca, a bibliotecária Samira faz questão de ressaltar que as multas têm como principal função advertir o frequentador de que é preciso respeitar e cuidar dos livros, bem como do patrimônio público.
Para se cadastrar é fácil. Basta ter em mãos duas fotos 3/4, comprovante de residência, identidade ou certidão de nascimento e, com o aumento da taxa, quatro reais a partir de setembro. A biblioteca possui aproximadamente duas mil pessoas cadastradas. Número pequeno quando comparado ao total de habitantes de Frutal. Mesmo assim, se metade dessas pessoas cadastradas frequentassem-na com regularidade, ela certamente teria mais vida. Depois do cadastramento, o leitor pode emprestar até três livros por vez com um prazo de dez dias para entregá-los ou renovar o empréstimo.
Agatha Christie, Machado de Assis e José de Alencar estão te esperando
O acervo do prédio tem aproximadamente quinze mil obras catalogadas, incluindo tanto obras destinadas ao empréstimo, quanto para apoio e pesquisa. Os autores estrangeiros de mais sucesso na biblioteca são Sidney Sheldon, Danielle Steel, Agatha Christie entre outros. Quando o assunto é literatura nacional, os clássicos José de Alencar, Machado de Assis e Jorge Amado são os mais procurados.
O desinteresse dos frutalenses é evidente. A biblioteca municipal é preparada para atender a população que, aparentemente, não dá a atenção merecida para uma prática que só tem a acrescentar. Ler é crucial para o aprendizado humano. É por meio da leitura que se amplia o vocabulário, conhecimento de mundo e dinamiza-se o raciocínio. Além disso, a leitura ajuda a criar uma familiaridade com a escrita. Familiaridade que deve ser estimulada desde a infância.
Para agradar o público mais novo, foi instalada uma biblioteca infanto-juvenil, que tem coleções como "Vagalume", "Para gostar de ler" e grandes autores como Ruth Rocha.
As obras consideradas mais raras são guardadas da maneira mais adequada possível, com objetivo de zelar pela melhor preservação. Estão entre as raridades exemplares de Chico Xavier, Ruy Barbosa, a psicanálise de Freud, e outros que, segundo Samira, têm uma procura ainda menor. Estes livros são disponibilizados apenas para apoio e pesquisa. Já nos disponíveis para empréstimos, Marcel Proust, Karl May e a coleção quase completa de "Memórias de casa nova" estão disponíveis. É só ir lá.
A internet substitui o livro?
Mesmo com a nítida falta de procura por livros, ao ser questionada sobre o risco do bom e velho livro ser substituído pela leitura que a internet proporciona, a bibliotecária foi firme em sua posição: "Não acho isso um risco. Ler um livro é mais prazeroso e aprofundado. Diante do computador, cansa-se mais e há mais probabilidades de distrações. Na internet são feitas mil coisas ao mesmo tempo. Além disso, no mundo virtual todo mundo vira autor. Não há checagem de informações. Ela é terra sem lei", afirma Samira.
É fato que fazer uma leitura pelo computador tem lá suas vantagens, mas nada comparado ao cuidado e atenção com que os tradicionais livros impressos são produzidos. A leitura pela web é superficial. A segurança que o livro impresso remete é inigualável. O que falta é conscientização da população, que tem esquecido o quanto o clássico livro é de extrema importância. A solidão analógica da leitura de um livro leva a um aconchego, recolhimento e reflexão que a vastidão do mundo digital não pode propiciar.
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